DE(S)COLONIZAR A EDUCAÇÃO TRANSPESSOAL BRASILEIRA:
INFÂNCIAS, COSMOPOLÍTICA E PLURIVERSALIDADE
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23824615Palavras-chave:
Educação transpessoal, Infâncias, De(s)colonialidade, Cosmopolítica, PluriversalidadeResumo
Este ensaio teórico-crítico problematiza fundamentos da Educação Transpessoal brasileira a partir de concepções de(s)coloniais de infâncias. Parte-se da tensão entre, de um lado, matrizes modernas que converteram a infância em figura de incompletude, tutela e normalização e, de outro, perspectivas indígenas, africanas e afrodiaspóricas que permitem reconhecê-la como experiência relacional, cosmológica e brincante. O objetivo é examinar como essas concepções podem deslocar a relação entre educação e transpessoalidade sem reduzir a de(s)colonização à inclusão de novos conteúdos em uma arquitetura teórica já estabelecida. Como ensaio, o texto desenvolve seu argumento pela interlocução crítica entre estudos das infâncias, pensamento decolonial, produção brasileira em Educação Transpessoal e virada participativa. Sustenta-se que o encontro com as infâncias produz três deslocamentos articulados: da individualidade autocentrada à relacionalidade cosmopolítica; da universalidade abstrata à comunidade e à pluriversalidade; e do cognocentrismo ao brincar como modo de conhecer e habitar o mundo. Conclui-se que de(s)colonizar a Educação Transpessoal exige permitir que outros saberes e modos de existência interroguem suas próprias categorias de pessoa, consciência, formação e transcendência, abrindo o campo a uma trans/formação mais relacional, situada e sensível às diferenças.
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