RIR PARA (RE)EXISTIR:
O RISO COMO PRÁTICA INSURGENTE DE MUNDO E CUIDADO TRANSPESSOAL DESDE UMA PERSPECTIVA DECOLONIAL
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23823752Palavras-chave:
Riso, Cuidado de Si, Klínica Kosmos TranspessoalResumo
Propomos neste estudo cocriações sobre o riso como gesto de práticas insurgentes de resistir, (re)existir e (re)viver, a partir de uma interlocução entre os saberes da arte, da filosofia e da espiritualidade com os campos da Psicologia Transpessoal e das epistemologias decoloniais. O trabalho parte do reconhecimento de que o riso, embora não tematizado diretamente nos referenciais da Psicologia Transpessoal nem nos estudos decoloniais, emerge como sentipensar nas margens, nas artes cômicas e nas práticas de (re)existência. A proposta consiste em deslocar o riso de seu lugar historicamente subordinado para afirmá-lo como experiência radical de desobediência epistêmica, reencantamento e cuidado de si. A pesquisa adota uma abordagem bibliográfica e exploratória, de caráter ensaístico, visando articular aportes teóricos diversos para abrir caminhos reflexivos ainda pouco trilhados no campo da Psicologia. Fundamentado na obra Klínica Kosmos Transpessoal: corazonar o cuidado em psicologia e educação (Ferreira; Silva; Cunha, 2024), propomos um alargamento dos referenciais transpessoais, integrando o riso como prática sensível de cura e reconexão. A partir da figura do Hotxuá, palhaço sagrado do povo Krahô, e das experiências de palhaçaria terapêutica e popular realizadas nas ruas e nos espaços públicos, argumenta-se que o riso pode operar como gesto criador de sentidos outros intra, inter e transpessoais. À vista disso, propomos desenvolver epistemologias da irreverência para contribuir às práticas de cuidado integradoras e pluriversais, conectadas com e na vida e no ritmo da Terra, em sintonia com os saberes tradicionais.
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