O GLOBALISMO E A RELIGIÃO NO DISCURSO DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO BRASIL EM 2019
Palavras-chave:
Globalismo; Religião; Análise do Discurso; Política Externa; Círculo de Bakhtin.Resumo
Este artigo apresenta uma análise de pronunciamentos do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo. Como corpus, selecionou-se o discurso da cerimônia de posse, em 2 de janeiro, e a palestra ministrada no seminário da FUNAG, em 10 de junho, ambos em Brasília, em 2019. A pesquisa utiliza a perspectiva do Círculo de Bakhtin para compreender a língua como prática social, considerando a forma dos enunciados e o contexto socioideológico em que foram produzidos, aborda as relações dialógicas, gêneros do discurso e formas da língua. Com base na análise realizada, é possível concluir que o discurso sobre o globalismo e a religião na política externa brasileira reflete as tensões e os desafios contemporâneos da ordem global e das relações internacionais. O termo globalismo é utilizado de maneiras diferentes por diferentes autores, mas todos concordam que a ordem global é um fator importante nos arranjos políticos e socioeconômicos. No entanto, há divergências quanto à ideia de uma agenda global baseada em valores como direitos humanos, tolerância e proteção ambiental, que alguns veem como uma forma de imposição de ideologias abstratas. Por sua vez, a religião é utilizada como um elemento de identidade e de legitimação da política externa brasileira. As falas de Araújo apontam para uma predileção por uma hipotética teocracia cristã no Brasil. No entanto, essa abordagem pode gerar tensões e conflitos com outros países e organizações internacionais que não compartilham dos mesmos valores e crenças. Diante dessas questões, é fundamental reconhecer a complexidade e a pluralidade de perspectivas, em vez de descartá-las como meras ideologias abstratas ou como elementos secundários da política externa. É preciso buscar um equilíbrio entre a defesa dos interesses nacionais e a promoção de valores universais, bem como entre a afirmação da identidade cultural e a abertura ao diálogo e à cooperação internacional.
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Referências
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