Regulação Emocional e Transtorno do Jogo em Adultos
Uma revisão de escopo
Palavras-chave:
Transtorno Do Jogo, Regulação Emocional, Revisão De EscopoResumo
O transtorno do jogo (TJ) tem se consolidado como um problema emergente de saúde pública, especialmente diante da expansão das apostas on-line no Brasil, e a regulação emocional vem sendo apontada como construto central para compreender sua manutenção e orientar intervenções. O presente estudo teve como objetivo sintetizar evidências empíricas sobre a relação entre regulação emocional e TJ em adultos. Trata-se de uma revisão de escopo conduzida em janeiro de 2026, utilizando-se a estratégia de busca PCC (P= adultos; C= regulação emocional; c= transtorno do jogo) gerando a seguinte pergunta de pesquisa: Como se expressa a regulação emocional em adultos com transtorno de jogo? Foram consultadas as bases PubMed, LILACS e Scielo, com descritores relacionados à transtorno do jogo e regulação emocional em português e inglês, abrangendo o período de 2016 a 2026. Após triagem de 420 registros, seis estudos compuseram a amostra final. Os estudos incluídos indicaram associação consistente entre dificuldades de regulação emocional e maior gravidade do TJ, com evidências de predição e correlações moderadas com alexitimia e desregulação emocional global, além de diferenças entre grupos clínicos e não clínicos em estratégias desadaptativas como ruminação e catastrofização. Foram observados mecanismos mediadores relevantes, como o papel da desregulação emocional, ruminação, eventos traumáticos e gravidade do jogo, bem como perfis distintos de regulação emocional associados a desfechos clínicos e gradiente dose-resposta, sugerindo a necessidade de intervenções personalizadas e foco em alvos específicos. Conclui-se que a regulação emocional é um fator relevante para a compreensão e o tratamento do TJ, embora a literatura ainda apresente limitações metodológicas e escassez de estudos no contexto brasileiro, reforçando a necessidade de pesquisas longitudinais e experimentais e de avaliação de intervenções baseadas em evidências.
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