A MANDALA DO FEMININO ILUMINADO NO BUDISMO VAJRAYANA:
PRÁTICAS DE CUIDADO (TRANS)FORMADORAS EM CONTEXTOS CONTEMPORÂNEOS
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22313461Palavras-chave:
cuidado de si, budismo Vajrayana, mandala das vinte e uma Taras, filosofia da diferença, educaçãoResumo
Esta pesquisa, em andamento, problematiza a relação entre as práticas de cuidado e a mandala do Aspecto Feminino Iluminado no Budismo Vajrayana, propondo essa articulação como via de transgressão ao discurso filosófico da modernidade ocidental antropocêntrica. O objetivo geral consiste em problematizar os efeitos das experiências de cuidado presentes nessa mandala, como dispositivos capazes de desestabilizar regimes modernos de subjetivação e de abrir espaço para a criação de outros mundos possíveis. Especificamente, busca-se cartografar os exercícios de cuidado de si, do outro e do mundo presentes nas vinte e uma Taras; delinear os aspectos mágicos e rituais dessas práticas enquanto dispositivos formativos; e evidenciar de que modo tais experiências produzem diferenciações nos modos de perceber, sentir e pensar. A importância do estudo reside na possibilidade de deslocar a produção do conhecimento educacional dos paradigmas eurocêntricos, acolhendo saberes espirituais e cosmológicos historicamente marginalizados. Metodologicamente, articulam-se a problematização genealógica, a cartografia enquanto ferramenta de mapeamento dos deslocamentos ético-existenciais e das linhas de fuga produzidas pelas dinâmicas de cuidar, e a pesquisa bibliográfica sobre a tradição das Vinte e Uma Taras no Budismo Vajrayana e sobre o cuidado de si. O referencial teórico mobiliza o conceito de cuidado de si (epimeleia heautou) em diálogo com a filosofia da diferença, tomando as emanações de Arya Tara enquanto multiplicidade intensiva capaz de operar transmutações qualitativas nas subjetividades. As análises preliminares indicam que a ética do cuidado de si, articulada à mandala das vinte e uma Taras, revela-se uma experiência transformadora que impacta diretamente as formas de habitar e atravessar os desafios contemporâneos. Conclui-se que essa articulação configura um devir minoritário capaz de produzir transformações éticas e cosmopolíticas, múltiplas e intensivas, entre diferentes planos da existência, para além dos limites da racionalidade moderna, apontando para um horizonte formativo voltado ao reencantamento da vida e à coemergência entre humanos, não humanos e múltiplos modos de agenciamento.
Palavras-chave: cuidado de si; budismo Vajrayana; mandala das vinte e uma Taras; filosofia da diferença; educação.
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