GEOGRAFIA DOS AFETOS:
O TERRITÓRIO COMO ESPAÇO DE PERTENCIMENTO, PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE E CUIDADO NO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23222868Palavras-chave:
Acompanhamento Terapêutico, Reforma Psiquiátrica, Território, Geografia dos Afetos, DesinstitucionalizaçãoResumo
Este artigo apresenta um relato de experiência fundamentado na prática do Acompanhamento Terapêutico (AT), desenvolvido no contexto de um Serviço Residencial Terapêutico (SRT). A partir do acompanhamento de um morador submetido a longo período de institucionalização psiquiátrica, discute-se o território como espaço de pertencimento, produção de subjetividade e reconstrução de vínculos sociais. O estudo, de abordagem qualitativa e natureza descritivo-reflexiva, articula a experiência clínica com referenciais da Reforma Psiquiátrica e da desinstitucionalização, dialogando com Michel Foucault, Erving Goffman, Franco Basaglia, Paulo Amarante e Analice Palombini. A experiência evidencia que os efeitos da institucionalização ultrapassam os limites físicos dos hospitais psiquiátricos, permanecendo presentes nas relações, na linguagem e nas práticas de cuidado. Ao reconhecer os vínculos afetivos que sustentavam os percursos do acompanhado, o Acompanhamento Terapêutico favoreceu a reconstrução da autonomia, da circulação social e do sentimento de pertencimento. A partir dessa experiência, e em diálogo com a literatura sobre território, propõe-se a Geografia dos Afetos como uma perspectiva clínica do Acompanhamento Terapêutico, compreendida como a dimensão afetiva do território constituída pelas relações, memórias e lugares significativos para o sujeito, enquanto seus desejos, vínculos e lembranças funcionam como uma bússola afetiva orientadora dos percursos terapêuticos. Conclui-se que reconhecer o território como espaço de encontros, pertencimento e produção de subjetividade amplia as possibilidades clínicas do Acompanhamento Terapêutico e fortalece os processos de cuidado em liberdade.
Downloads
Referências
AMARANTE, Paulo. O homem e a serpente: outras histórias para a loucura e a psiquiatria. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1996.
AMARANTE, Paulo. Saúde mental e atenção psicossocial. 4. ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2007.
BASAGLIA, Franco. A instituição negada: relato de um hospital psiquiátrico. 3. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1985.
BRASIL. Ministério da Saúde. Residências terapêuticas: o que são, para que servem. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. (Série F. Comunicação e Educação em Saúde).
DELGADO, Pedro Gabriel Godinho. Perspectivas da psiquiatria pós-asilar no Brasil (com um apêndice sobre a questão dos cronificados). In: TUNDIS, Silvério Almeida; COSTA, Nilson do Rosário (org.). Cidadania e loucura: políticas de saúde mental no Brasil. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 111-129.
FOUCAULT, Michel. Ditos e escritos I: problematização do sujeito: psicologia, psiquiatria e psicanálise. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.
GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. 8. ed. São Paulo: Perspectiva, 2015.
LANCETTI, Antonio. Clínica peripatética. São Paulo: Hucitec, 2006.
MARQUES, Mariana Ribeiro. A prática do acompanhamento terapêutico como estratégia de expansão territorial: uma incursão cartográfica. Psicologia & Sociedade, Belo Horizonte, v. 25, n. esp. 2, p. 54-62, 2013.
PALOMBINI, Analice de Lima et al. Acompanhamento terapêutico na rede pública: a clínica em movimento. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004.
TUAN, Yi-Fu. Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. Londrina: Eduel, 2013.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Os trabalhos publicados passam a ser propriedade da REER, devendo após a publicação ser informada a respectiva fonte.
O conteúdo, bem como as opiniões nos artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores.