GEOGRAFIA DOS AFETOS:

O TERRITÓRIO COMO ESPAÇO DE PERTENCIMENTO, PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE E CUIDADO NO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO

Autores

  • Marcone Firmino da Silva Centro universitário Estácio do Recife

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.23222868

Palavras-chave:

Acompanhamento Terapêutico, Reforma Psiquiátrica, Território, Geografia dos Afetos, Desinstitucionalização

Resumo

Este artigo apresenta um relato de experiência fundamentado na prática do Acompanhamento Terapêutico (AT), desenvolvido no contexto de um Serviço Residencial Terapêutico (SRT). A partir do acompanhamento de um morador submetido a longo período de institucionalização psiquiátrica, discute-se o território como espaço de pertencimento, produção de subjetividade e reconstrução de vínculos sociais. O estudo, de abordagem qualitativa e natureza descritivo-reflexiva, articula a experiência clínica com referenciais da Reforma Psiquiátrica e da desinstitucionalização, dialogando com Michel Foucault, Erving Goffman, Franco Basaglia, Paulo Amarante e Analice Palombini. A experiência evidencia que os efeitos da institucionalização ultrapassam os limites físicos dos hospitais psiquiátricos, permanecendo presentes nas relações, na linguagem e nas práticas de cuidado. Ao reconhecer os vínculos afetivos que sustentavam os percursos do acompanhado, o Acompanhamento Terapêutico favoreceu a reconstrução da autonomia, da circulação social e do sentimento de pertencimento. A partir dessa experiência, e em diálogo com a literatura sobre território, propõe-se a Geografia dos Afetos como uma perspectiva clínica do Acompanhamento Terapêutico, compreendida como a dimensão afetiva do território constituída pelas relações, memórias e lugares significativos para o sujeito, enquanto seus desejos, vínculos e lembranças funcionam como uma bússola afetiva orientadora dos percursos terapêuticos. Conclui-se que reconhecer o território como espaço de encontros, pertencimento e produção de subjetividade amplia as possibilidades clínicas do Acompanhamento Terapêutico e fortalece os processos de cuidado em liberdade.

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Publicado

2026-10-07

Como Citar

Firmino da Silva, M. (2026). GEOGRAFIA DOS AFETOS:: O TERRITÓRIO COMO ESPAÇO DE PERTENCIMENTO, PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE E CUIDADO NO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO. Revista Eletrônica Da Estácio Recife, 13(2), 221–235. https://doi.org/10.5281/zenodo.23222868

Edição

Seção

Artigos