A MANDALA DO FEMININO ILUMINADO NO BUDISMO VAJRAYANA:
PRÁTICAS DE CUIDADO (TRANS)FORMADORAS EM CONTEXTOS CONTEMPORÂNEOS
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23837614Parole chiave:
Cuidado de si, Budismo Vajrayana, Mandala das vinte e uma Taras, Filosofia da diferença, EducaçãoAbstract
Esta pesquisa, em andamento, problematiza a relação entre as práticas de cuidado e a mandala do Aspecto Feminino Iluminado no Budismo Vajrayana, propondo essa articulação como via de transgressão ao discurso filosófico da modernidade ocidental antropocêntrica. O objetivo geral é problematizar os efeitos das experiências de cuidado presentes nessa mandala, como dispositivos capazes de desestabilizar regimes modernos de subjetivação e de abrir espaço para a criação de outros mundos possíveis. Especificamente, busca-se cartografar os exercícios de cuidado de si, do outro e do mundo presentes nas Vinte e Uma Taras; delinear os aspectos mágicos, rituais e simbólicos dessas práticas enquanto dispositivos formativos; e evidenciar de que modo tais experiências produzem diferenciações nos modos de perceber, sentir e pensar. A importância do estudo reside na possibilidade de deslocar a produção do conhecimento educacional dos paradigmas eurocêntricos, acolhendo saberes espirituais e cosmológicos historicamente marginalizados. Metodologicamente, articulam-se a problematização genealógica, a cartografia enquanto ferramenta de mapeamento dos deslocamentos ético-existenciais e das linhas de fuga produzidas pelos modos de cuidar, e a pesquisa bibliográfica sobre a tradição das Vinte e Uma Taras no Budismo Vajrayana e sobre o cuidado de si. O referencial teórico mobiliza o conceito de cuidado de si (epimeleia heautou) em diálogo com a filosofia da diferença, tomando as vinte e uma emanações de Arya Tara enquanto multiplicidade intensiva capaz de operar transmutações qualitativas nas subjetividades. As análises preliminares indicam que a ética do cuidado de si, articulada à mandala das Vinte e Uma Taras, revela-se uma experiência transformadora que impacta diretamente os modos de habitar e atravessar os desafios contemporâneos. Conclui-se que essa articulação configura um devir minoritário capaz de produzir transformações éticas e cosmopolíticas, múltiplas e intensivas, entre diferentes planos da existência, para além dos limites da racionalidade moderna, apontando para um horizonte formativo voltado ao reencantamento da vida e à coemergência entre humanos, não humanos e múltiplos modos de agenciamento.
Downloads
Riferimenti bibliografici
CARDOSO, Maurício Ribeiro. O desencantamento do mundo segundo Max Weber. Revista EDUC – Faculdade de Duque de Caxias, v. 1, n. 2, jul./dez. 2014.
DANOWSKI, Déborah; VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo Batalha; SALDANHA, Paula. Os mil nomes de Gaia. São Paulo: Editora Machado, 2022.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Volume 1. São Paulo: Editora 34, 1995.
FISHER, Mark. Realismo capitalista: é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo? São Paulo: Autonomia Literária, 2020.
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
FOUCAULT, Michel. Poder e saber. In: FOUCAULT, Michel. Ditos e Escritos IV: estratégia, poder-saber. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010. p. 223-240.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 2: o uso dos prazeres. 13. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2009.
FREITAS, Alexandre Simão. Os perigos éticos de Foucault entre a metálica e a experimentação de si: por uma ontologia sem cabimento. In: REUNIÃO NACIONAL DA ANPED, 36., 2013, Goiânia. Anais... Goiânia: ANPED, 2013.
KHADRO, Chagdud. Comentários sobre Tara Vermelha. Três Coroas-RS: Makara, 2007.
SAFATLE, Vladimir Pinheiro. O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.
SANTOS, Boaventura de Sousa. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do sul. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. São Paulo: Cortez, 2012.
STENGERS, Isabelle. No tempo das catástrofes: resistir à barbárie que se aproxima. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
Downloads
Pubblicato
Come citare
Fascicolo
Sezione
Licenza
Os trabalhos publicados passam a ser propriedade da REER, devendo após a publicação ser informada a respectiva fonte.
O conteúdo, bem como as opiniões nos artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores.