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CHAMADA DE ARTIGOS

2023-06-13

A REER (Revista Eletrônica Estácio Recife) convida alunos, pesquisadores e todos da comunidade acadêmica para o processo de submissão de artigos que irão compor a próxima edição.

A revista publica artigos, resumos e resenhas nas áreas de concentração de Humanidades, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Jurídicas, Saúde e Engenharias, em formato online e adota a modalidade de publicação contínua de artigos (rolling publication) com periodicidade anual.

Tendo em vista que as submissões ocorrerão em fluxo contínuo, as publicações seguem sendo incorporadas ao número atual à medida que forem sendo aprovadas.

As submissões devem ser feitas através do site da revista https://reer.emnuvens.com.br/reer/user/register. Os materiais para publicação deverão ser enviados em forma final, conforme orientação constante na página de chamada de trabalhos (sistema de submissão).

Recife-PE, 13 de junho de 2023.

Monick Trajano dos Santos

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Número actual

Vol. 14 Núm. 1 (2026): Educação, Psicologia e Processos de (Trans)formação Humana: Diversidade Epistêmica e Produção do Conhecimento em Contextos Contemporâneos
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EDUCAÇÃO, PSICOLOGIA E PROCESSOS DE (TRANS)FORMAÇÃO HUMANA:

DIVERSIDADE EPISTÊMICA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO EM CONTEXTOS CONTEMPORÂNEOS

É com imensa satisfação e senso de compromisso acadêmico e justiça social que apresentamos este Dossiê Temático da Revista Eletrônica da Estácio Recife. A concretização deste volume é fruto de um esforço coletivo que ganha vida em um momento crucial para a produção intelectual.

Abrimos este editorial expressando nosso profundo agradecimento ao incentivo institucional da Revista Eletrônica da Estácio Recife, com uma homenagem especial à sua Editora-Chefe, Monick Trajano, cujo apoio incondicional e entusiasmo têm sido pilares fundamentais para o estímulo e a sustentação da produção intelectual e científica qualificada nessa instituição. Estendemos este agradecimento, com igual admiração, ao empenho rigoroso e resiliente de todos os autores e autoras ao longo do percurso avaliativo. Mesmo diante de um cenário político brasileiro marcado por constantes riscos à democratização e desafios estruturais à autonomia das universidades públicas, esses/as pesquisadores/as mantiveram-se firmes, éticos/as e comprometidos/as com a revisão e o aprimoramento de seus trabalhos, provando que o ato de pesquisar é, fundamentalmente, um ato de resistência.

Este dossiê organiza-se em torno de eixos que desafiam as amarras da modernidade eurocêntrica, propondo novas cartografias para a Formação Humana, a Psicologia Transpessoal, a infância, o cuidado e as subjetividades. Para guiar a leitura, os artigos foram articulados em uma sequência que transita das bases teóricas e filosóficas da decolonialidade até as práticas vividas de cuidado, espiritualidade, território e saúde mental.

O estudo "A perspectiva transpessoal: das sombras às (trans)formações humanas", escrito por Maria Carolina Souto de Vasconcelos, Silas Carlos Rocha da Silva e Aurino Lima Ferreira, propõe uma revisão crítica e situada da perspectiva transpessoal no campo da formação humana, questionando a repetição acrítica de uma narrativa histórica estadunidense e nortecêntrica sobre o campo, e consequentemente, os riscos de aprisionamento e cristalização da perspectiva.

O território e a infância voltam a se cruzar de forma potente no estudo "As infâncias rurais: um olhar cartográfico transpessoal das crianças de uma escola rural do agreste pernambucano", produzido por Jaciana de Araújo Silva e Djailton Pereira da Cunha. Esta pesquisa de natureza qualitativa, inspirada na Cartografia de Deleuze e Guattari e nas Oficinas Sociopoéticas de Gauthier, teve como objetivo cartografar os processos de subjetivação das infâncias rurais produzidos nas relações das crianças com seus territórios, considerando as experiências fotográficas, narrativas e produções coletivas em diálogo com a perspectiva transpessoal.

O artigo "O corpo das mulheres e seus bebês no Brasil contemporâneo: entre capturas, resistências e moralidades", de Anna Karina Gonçalves Xavier e Cássia Maria Rosato, retrata como o corpo das mulheres são capturados ao longo da história por marcadores de raça, classe e território, a partir de sistemas patriarcais. Tomando o caso de mulheres que têm sido impedidas de exercer a maternidade na contemporaneidade, analisa-se como moralidades nos campos da saúde e da justiça, no Brasil, tem definido a incapacidade de mulheres não brancas e periféricas para a maternidade.

Mapeando o estado da arte das publicações recentes na área, o artigo "Espiritualidade, sentido da vida e educação: uma revisão bibliográfica sobre um campo de estudos emergente, em buscas feitas entre janeiro e fevereiro de 2022", escrito por Lucas Gesteira Ramos da Silva e Luciano Costa Santos, tem como objetivo analisar a produção científica sobre espiritualidade e sentido da vida nas duas últimas décadas, destacando suas possíveis relações com o campo educacional. A pesquisa consiste em uma revisão bibliográfica baseada em artigos de revisão nacionais e internacionais, identificados por meio de buscas na plataforma Google Scholar.

O trabalho "Diários do caos e da criação de Lima Barreto: uma leitura biografemática para (re)pensar a decolonialidade em educação", desenvolvido por Maria Sandra Montenegro Silva Leão, analisa as conexões entre caos e criação a partir de duas importantes obras de Lima Barreto: Diário Íntimo e Diário do Hospício, dentre outras produções suas, também importantes para a reflexão desenvolvida.

O trabalho "Cartografia das experiências com a ayahuasca: motivações e mudanças na cosmovisão e no estilo de vida de praticantes do Santo Daime no agreste pernambucano", de autoria de Sara Regina da Silva Teixeira e Djailton Pereira da Cunha, tem como objetivo cartografar experiências com a ayahuasca, acompanhando de perto as motivações e mudanças na cosmovisão e no estilo de vida narradas por praticantes do Santo Daime.

O artigo "Rir para (re)existir: o riso como prática insurgente de mundo e cuidado transpessoal desde uma perspectiva decolonial", de Bruna Patrícia Ferreira da Silva, propõe cocriações sobre o riso como gesto de práticas insurgentes de resistir, (re)existir e (re)viver, a partir de uma interlocução entre os saberes da arte, da filosofia e da espiritualidade com os campos da Psicologia Transpessoal e das epistemologias decoloniais.


O artigo "Saúde mental e gestão dos riscos psicossociais no trabalho: uma interpretação da NR-1 na educação a partir da racionalidade neoliberal", escrito por Ygor Sarkis Carleial Teixeira, Adneva Maria Melo de Azevedo e Giuliana Volfzon Mordente, investiga a centralidade da gestão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho a partir da racionalidade neoliberal, tomando a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e elegendo a educação como campo privilegiado de análise.

O artigo "De(s)colonizar a educação transpessoal brasileira: infâncias, cosmopolítica e pluriversalidade", de autoria de Alice dos Santos Andrade, Sidney Carlos Rocha da Silva, Márcia dos Santos Silva Gomes e Aurino Lima Ferreira. O texto problematiza fundamentos da Educação Transpessoal brasileira a partir de concepções de(s)coloniais de infâncias, partindo da tensão entre, de um lado, matrizes modernas que converteram a infância em figura de incompletude, tutela e normalização e, de outro, perspectivas indígenas, africanas e afrodiaspóricas que permitem reconhecê-la como experiência relacional, cosmológica e brincante.

o artigo intitulado "Gloria Anzaldúa e a formação humana na língua das serpentes", de autoria de Alexandre Simão Freitas, Rairan de Almeida Silva e Renata de Camargo Pinto Rocha Lima, se move em meio a uma aliança entre Gloria Anzaldúa e a educação. Trata-se de um ensaio resultante de uma fabulação experimental que aciona os estudos queer e as filosofias da diferença para problematizar o próprio gesto-sentido de pensar-pesquisar-escrever acerca da Formação Humana na contemporaneidade, propondo um quiasma entre outras línguas possíveis para pesquisa-pensar-escrever em educação desfazendo, requebrando em um void estético-político de resistências e rexistências múltiplas através de um exercício de tradução da língua-serpente da pensadora chicana.

Ampliando a visão sobre os processos formativos, os pesquisadores Arthur Silva de Andrade e Aurino Lima Ferreira apresentam o trabalho "A originalidade criativa como fenômeno relacional: fronteiras e travessias". Este ensaio problematiza a concepção da originalidade criativa como atributo interno de um indivíduo autônomo, com o objetivo de desenvolver uma compreensão relacional da criatividade, segundo a qual a novidade se constitui na coparticipação entre pessoas, coletivos, repertórios culturais, territórios, materialidades, ancestralidades e agências mais-que-humanas.

Direcionando o olhar para as tradições orientais e suas ressonâncias de cuidado, Sidcléia da Silva Santos contribui com a pesquisa "A mandala do feminino iluminado no Budismo Vajrayana: práticas de cuidado (trans)formadoras em contextos contemporâneos". O trabalho problematiza a relação entre as práticas de cuidado e a mandala do Aspecto Feminino Iluminado no Budismo Vajrayana, propondo essa articulação como via de transgressão ao discurso filosófico da modernidade ocidental antropocêntrica.

Concluímos este texto renovando nossos profundos agradecimentos aos autores e autoras por aceitarem o desafio desta escrita coletiva, plural e provocadora. Em uma época em que assistimos a tentativas de desmonte da ciência, dos orçamentos universitários e da autonomia do pensamento crítico no Brasil, a publicação desta coletânea pela Revista Eletrônica da Estácio do Recife reafirma a urgência e a importância da pesquisa científica independente. Que estes textos sirvam de subsídio para práticas educativas mais (que) humanas, pluriversais e comprometidas com a justiça social.

Desejamos a todas e todos uma excelente e transformadora leitura!

Os Organizadores do Dossiê.

Publicado: 2026-10-30

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